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Nutrição – Informe PremieRpet®

Os impactos da nutrição na imunidade de cães e gatos

Por Flavio Lopes da Silva

Uma boa alimentação é capaz de promover a saúde e bem-estar do animal, além de melhorar a sua imunidade. Hoje, muitos pesquisadores se dedicam a estudar as mudanças dietéticas que podem favorecer a saúde do cão ou do gato e esses estudos apontam na direção do trato gastrointestinal (TGI) como o sistema chave para diminuir alterações fisiológicas causadas pela baixa imunidade.

Primeiramente, devemos lembrar que o sistema imunológico consiste em um conjunto de estruturas e processos biológicos formados por uma rede de células, tecidos e órgãos especializados1, que são projetados para detectar e destruir partículas estranhas e seus produtos2. Somado a isso, temos o TGI como maior órgão linfoide do organismo, participando como protagonista na imunidade local e sistêmica, protegendo contra patógenos e modulando a resposta imune e a tolerância oral aos antígenos. O sistema imune da mucosa do TGI de cães consiste em estruturas linfoides organizadas, incluindo as placas de Peyer, linfonodos mesentéricos e a lâmina própria intestinal. Nestes, encontram-se tipos celulares específicos, como linfócitos T e B, macrófagos, mastócitos, células dendríticas, neutrófilos e eosinófilos.

Com base nas citações acima, as pesquisas apontam esse sistema como peça fundamental para melhorar a imunidade e promover saúde ao paciente. Estudos trazem como ferramenta a modulação da microbiota intestinal por meio de ingredientes na alimentação que promovam esse fim. Na literatura, os mais citados como promotores dessas mudanças positivas são os prebióticos.

Os prebióticos são carboidratos fermentáveis que não são digeridos pelo trato gastrointestinal e possuem resistência ao pH ácido do estômago. Essa característica permite que eles passem pelo intestino de forma intacta, impedindo a adesão dos patógenos ao muco e diminuindo a adesão e invasão dessas bactérias patogênicas à mucosa intestinal. Os prebióticos também podem estimular as células dendríticas no intestino, aumentando a permeabilidade da membrana celular3. Essas células estão presentes nas junções celulares do epitélio intestinal e ajudam a reduzir a penetração de toxinas por meio da barreira epitelial. Como consequência dessas ações dos prebióticos, acontece a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) por meio da fermentação das bactérias benéficas, tornando o meio mais ácido e aumentando a quantidade desses microrganismos. Esses ácidos graxos desempenham papel importante na manutenção da saúde intestinal, visto que os colonócitos utilizam preferencialmente o butirato como fonte de energia.

Como exemplo de prebiótico que auxilia a imunidade, temos o galactooligossacarídeo (GOS). Há indícios4 de que o GOS possui efeito na imunidade pela redução de adesão de leucócitos em paredes endoteliais, visto que há semelhança entre o carboidrato com as glicoproteínas formadoras da parede intestinal. Além disso, o GOS possui efeito que não permite aglutinação de bactérias enteropatogênicas na mucosa. Além do GOS, as frações ativas de mananoligossacarídeo (MOS) também tiveram efeitos sobre alguns parâmetros das respostas imunes específicas e não específicas mediadas por células, como um aumento da porcentagem de atividade fagocítica por neutrófilos5.

Dados como esses são importantes para que clínicos possam prescrever aos seus pacientes alimentos que contenham esses ingredientes em sua formulação, seja para um filhote que ainda está completando seu perfil de vacinas, seja para um idoso que já está com a imunidade comprometida.

Em breve certamente teremos mais informações sobre os nutrientes que favorecem o sistema imune dos pacientes. Mas, com as informações que possuímos hoje, já temos o vislumbre de que cada vez mais nossos pacientes viverão mais e melhor.

Flavio Lopes da Silva
Médico-veterinário, MSc. do Departamento de Capacitação Técnico-Científica da PremieRpet®

Referências bibliográficas

 

  1. R. Tizard. Veterinary Immunology: An Introduction. (9th ed.), Elsevier, St Louis, MO (2013).

 

  1. A. Janeway Jr, P. Travers, M. Walport, J.D. Capra. Immunobiology: The Immune System in Health and Disease. Elsevier Science Ltd./Garland Publishing, New York (1999).

 

  1. Nawaz A., Irshad S., Hoseinifar S. H., & Xiong H. The functionality of prebiotics as immunostimulant: Evidences from trials on terrestrial and aquatic animals. Fish Shellfish Immunol. 2018; 76: 272–278. pmid:29510254.

 

  1. RENTAS, Mariana Fragoso et al. Galactoligosaccharide and a prebiotic blend improve colonic health and immunity of adult dogs. Plos one, v. 15, n. 8, p. e0238006, 2020.

 

  1. KROLL, F. S. A. et al. Active fractions of mannoproteins derived from yeast cell wall stimulate innate and acquired immunity of adult and elderly dogs. Animal feed science and technology, v. 261, p. 114392, 2020.