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Pet Food

Como vai o mercado de nutrição animal?

Reportagem Mariana Vilela, de Curitiba (PR)

Em entrevista, o doutor Rodolfo Claudio Spers, membro efetivo da Comissão Técnica de Nutrição Animal do CRMV-SP, destaca Campanha da Nutrição Responsável e aumento cada vez maior para o setor Pet

A Vet&Share entrevistou nesta edição o doutor Rodolfo Claudio Spers membro efetivo da Comissão Técnica de Nutrição Animal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), que falou sobre a situação atual do mercado de nutrição animal. Rodolfo é graduado em medicina veterinária (Universidade de Marília – Unimar), possui especialização em Produção Animal (Universidade Estadual Paulista – Unesp), é mestre em zootecnia (Unesp) e doutor em Ciências dos Alimentos (Universidade de São Paulo – USP). É professor de cursos de graduação e tem experiência técnica e científica na área de Nutrição e Produção de Ruminantes e Monogástricos.

Ele explica que a Comissão Técnica de Nutrição Animal apresenta como atividade principal a de servir como órgão de consulta e assessoramento técnico do CRMV-SP, com o objetivo de garantir a responsabilidade técnica nas indústrias e nos setores relacionados a fabricação, fracionamento, importação e exportação, como também as prescrições clínicas. “Com um peso considerável na economia do País, a nutrição animal é cada vez mais pautada pela qualidade e pela segmentação em favor de uma produção animal sustentável (aves e suínos principalmente) e na saúde e longevidade dos animais de companhia”, destaca. Confira a seguir entrevista completa:

Vet&Share – Apesar de fatores como alta no dólar, estiagem, preço alto de milho e soja, de acordo com dados do Sindirações, de janeiro a junho de 2021 houve crescimento de 5,2% na produção de ração (todas as espécies) em relação ao ano anterior. Como avalia o cenário e quais as expectativas para o mercado de nutrição em 2022?

Rodolfo Claudio Spers – Sim a pandemia, fatores climáticos (a maior seca dos últimos 90 anos); desvalorização cambial; política econômica; pressão dos preços das principais commodities milho e farelo de soja são alguns quesitos que fizeram com que os custos de produção das rações aumentassem muito, porém com a chegada eminente do “fim” da pandemia, os olhares do mundo se voltaram para o Brasil como um dos principais celeiros e por que não dizer o maior país com potencial para os próximos anos de “alimentar o mundo”. Assim, as perspectivas para o mercado de nutrição para 2022 são as melhores possíveis no segmento das exportações tanto de cereais como de proteína animal. Porém com muita cautela nas sequelas que a pandemia nos deixou.

V&S – O que a indústria tem feito para manter o desempenho?

Rodolfo – Uma das alternativas para as indústrias é a busca por alimentos alternativos ao milho e ao farelo de soja. Alternativa esta, nada fácil de se conseguir pelo valor nutricional que o binômio milho e farelo de soja apresentam para a formulação de rações para quase todas as espécies animais e de sua representatividade de produção no Brasil.
Alguns alimentos podem constituir em uma opção para inclusão nas dietas, podendo de alguma forma suprir parte desta demanda na tentativa de se manter o desempenho. Dentre estes alimentos alternativos destacamos alguns: farelo de trigo, farelo de arroz, farelo de amendoim, caroço de algodão, mandioca, polpa cítrica, o DDG que é o grão de milho seco por destilação, entre outros alimentos chamados de sazonais e regionais.

V&S – E o setor de animais de companhia em especial, onde o Pet Food representa 75% do faturamento do mercado pet (Abinpet). Como avalia o desempenho do mercado em 2021 e quais as expectativas para 2022?

Rodolfo – Fato! A pandemia exacerbou o desejo e a concretização de se ter um animal de estimação em uma época de isolamento social. A frase “Apesar dos gastos para se manter um pet, vale muito a pena”. Alguém tem coragem de discordar ou mesmo de ter se arrependido, eu pergunto?
Assim podemos projetar um crescimento cada vez maior neste setor como: conforto e bem-estar; serviços móveis; techpet e para a nossa Comissão Técnica de Nutrição Animal a chamada preocupação com a saúde alimentar.

Que nestes últimos tempos tem nos tirado o sono com a divulgação e o crescimento da alimentação alternativa. Formas, fórmulas e dietas nada convencionais que a nossa comissão verificou na maioria não atender às exigências nutricionais. Fazendo com que lançássemos esse ano a Campanha da Nutrição Responsável. Campanha esta que visa informar, esclarecer o segmento dos riscos que podemos levar à saúde dos nossos animais.

V&S – Que mensagem final gostaria de deixar?
Rodolfo – O Brasil é um dos maiores do mundo em produção animal e vegetal. Não será tarefa fácil reencontrar o rápido crescimento na produção na chamada fase pós pandemia. Este crescimento se refletirá principalmente pela necessidade e o crescimento da demanda dos países, em especial a China. E podemos dividir as expectativas em dois segmentos distintos:
1 – Produção Animal Avicultura (corte e postura) e Suinocultura e para a Bovinocultura de Corte e Leite, ainda muito incertos devido principalmente ao impacto que a pandemia causou e ainda causará ao mundo. Precisaremos trabalhar com pesquisas e técnicos altamente gabaritados em reformulações nutricionais ainda mais modernas e eficientes.
2 – Já o mercado Pet não tem mais volta, o que é tendência no mundo e não é diferente aqui no Brasil.