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Relação do alimento e o PH urinário de gatos

Urolitíase em gatos é a causa mais comum de doença felina do trato urinário inferior. A formação dos urólitos nos gatos depende de alguns fatores como o sexo do animal, o estado reprodutivo, a obesidade, as formas de manejo incorretas e, o tipo de dieta e a frequência com que o animal se alimenta o que pode interferir diretamente no pH urinário.

A alimentação pode influenciar tanto beneficamente quanto negativamente nas urolitíases de cães e gatos. Sua atuação na prevenção e no tratamento da afecção do trato urinário é de fundamental importância para os animais, minimizando as chances de formação de urólitos. Isso ocorre porque os ingredientes dos alimentos e o tipo de alimentação influenciam o volume, o pH e a concentração de solutos da urina.

A importância e relação da composição mineral da dieta com o metabolismo ácido-básico vêm sendo estudada em humanos há mais de 30 anos, sendo apenas mais recentemente considerada para animais.

O efeito do alimento sobre o pH urinário é decorrente de seus nutrientes e dos ácidos derivados dos mesmos. A maior contribuição dietética de ácidos inclui a oxidação de aminoácidos sulfurados e o balanço de ânions (cloro, enxofre, fósforo) e cátions (sódio, cálcio, potássio, magnésio) metabolizáveis. Sendo assim, a concentração desses íons orgânicos pode ser mensurada indiretamente por meio da análise de cátions e ânions inorgânicos na dieta. A influência da dieta sobre o pH urinário e equilíbrio ácido-base foi avaliado em diversas espécies, sendo sugerida uma correlação altamente significativa entre excesso de base (EB), calculados a partir da soma de componentes alcalogênicos – cálcio (Ca), magnésio (Mg), sódio (Na), potássio (K) – menos a soma de componentes acidificantes – fósforo (P), enxofre (S), cloro (Cl) e aminoácidos sulfurados (metionina e cisteína).

A partir da determinação do excesso de base (EB) do alimento, é possível estimar o pH urinário. O cálculo do balanço catiônico-aniônico da dieta permite que seja identificada a possível faixa de pH urinário que tal alimento favorece, podendo, assim, prevenir o desenvolvimento de urólitos de estruvita ou oxalato de cálcio, além de compreender o efeito do alimento no equilíbrio ácido-básico, bem como identificar os desbalanços entre os macroelementos.

A redução do pH urinário tem se mostrado eficaz na prevenção da formação de cristais de estruvita, porém valores abaixo de 6,2 podem aumentar o risco de formação de cristais de oxalato de cálcio, por isso para reduzir o risco de formação de ambos, considera-se a faixa ideal de pH urinário entre 6,2 e 6,8.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vários aspectos são importantes na avaliação de um alimento para cães e gatos. A responsabilidade dos fabricantes de alimentos pets vem aumentando. Hoje em dia, existe a preocupação de se buscar, através da nutrição, uma maior e melhor expectativa de vida para esses animais. A manipulação do pH da urina por meio da dieta tem se mostrado uma ferramenta eficaz para o manejo e prevenção dos principais urólitos nos felinos e maior qualidade de vida.

ANA FLAVIA CHIZZOTTI
Coordenadora Técnica Granvita, médica-veterinária com mestrado em Nutrição de Cães e Gatos pela Universidade Federal de Lavras (UFLA/MG)